Recentemente
venho conhecendo um Brasil que, sinceramente eu não gostaria de conhecer, e
muito menos que existisse. Embora a mídia trate alguns problemas como se fossem
secundários, como por exemplo, vangloriar as belezas da “Cidade Maravilhosa”,
deixando de lado a violência e o completo mau cheiro causado pela falta de
saneamento básico que em muitos casos não distingue classe social. O Brasil que
tanto busca destaque no exterior como país do presente e do desenvolvimento
sustentável, pode começar a “fazer por merecer” isso, mas o caminho a percorrer
ainda é longo demais, pois existem inúmeros pontos cruciais a serem corrigidos
para que um dia o mundo nos considere assim, e não nós nos denominemos desse
modo.
O Brasil consegue ter ao mesmo tempo duas visões distintas de um
desenvolvimento que é totalmente desequilibrado, onde regiões se desenvolvem
com qualidade de vida beirando a excelente e outras além de não se desenvolver,
ficam a mercê de hospitais sem médicos e de locais onde o esgoto fica em contato
direto com a população.
A criminalidade anda lado a lado com a população em muitos lugares
do Brasil, um exemplo disso são as milícias no RJ, que controlam praticamente
todo o comércio que está no entorno da área controlada pela mesma. As vãs que
fazem o transporte clandestino de passageiros, os comerciantes que devem pagar
as taxas de segurança aos milicianos, as residências que fazem o pagamento
mensal de uma quantia que fica em torno de R$ 15,00 em troca de segurança
(residência que paga tem a marca verde no portão, e que não paga tem a marca
vermelha, esta marca significa a autorização para assaltantes) são meios de
extorsão muito usados pelas milícias, porém o pior é que a população se
acostumou e acaba por achar que a presença dessa bandidagem é de certa forma
positiva.
Isso me faz pensar cada vez mais que a “Cidade Maravilhosa” não é
aquela que tem belezas sem comparação, mas sim aquela em que as pessoas possam
andar livremente pela rua sem medo, e sequer se preocupar em dormir com a
janela fechada à noite.
Ao conhecer um pouco mais desse imenso Brasil, acredito que muitas
coisas devem mudar para que o Brasil seja realmente um país homogêneo em
qualidade de vida e desenvolvimento, e essa mudança deve partir em parte do
governo e principalmente do povo brasileiro, pois de nada adianta as ações
virem de cima e a população não ter a vontade de mudança que as modificações
necessitam ter para serem bem sucedidas.
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